Audiência Pública debate Plebiscito Popular 2025 e mobiliza a classe trabalhadora

A Comissão de Cidadania da Assembleia Legislativa de Pernambuco realizou, nesta segunda-feira (01), uma audiência pública para debater o “Plebiscito Popular 2025: Participação Democrática, Justiça Social e o Futuro do Trabalho e da Tributação no Brasil”. A iniciativa foi proposta pelos deputados João Paulo (PT), Rosa Amorim (PT), Doriel Barros (PT) e Dani Portela (PSOL), que defenderam o plebiscito como um instrumento de mobilização popular e de luta do povo trabalhador.

O encontro reuniu representantes de universidades, movimentos sociais, centrais sindicais, igrejas e entidades de classe, reforçando o caráter plural da discussão. Estiveram na mesa a professora Luciana Grassano (UFPE), a pesquisadora Milena Prado (DIEESE), Hélcio (CUT), Vitória Genoíno (MTST), Natália Cordeiro (movimentos sociais), João Mamede (UEP/UNE), Padre Edson André (CNBB), Ana Davi (vice-presidente da CTB) e a procuradora Débora Tito (Ministério Público).

O Plebiscito Popular 2025 tem três eixos centrais: o fim da escala 6×1, a taxação das grandes fortunas e a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais. Segundo os organizadores, trata-se de dar voz ao povo diante de um Congresso que, em grande parte, resiste a mudanças que favorecem a classe trabalhadora. “Queremos mobilizar as pessoas em defesa de direitos elementares: justiça social, fim da exploração e igualdade”, resumiu o deputado João Paulo, que destacou ainda a importância do plebiscito para agitar o povo, elevar a consciência das massas e fortalecer a luta por um país mais justo.

A deputada Rosa Amorim reforçou que, além de consulta, o plebiscito é um processo de mobilização social. “É um chamado urgente. O Brasil não pertence a uma minoria privilegiada. Nossa meta é colher 500 mil assinaturas em Pernambuco e instalar urnas em cada canto do Estado”, afirmou. O deputado Doriel Barros lembrou que a redução da escala 6×1 é uma luta histórica contra a exploração e a injustiça: “Não podemos aceitar que a classe trabalhadora continue financiando uma minoria. Essa é uma janela de oportunidade para promover justiça social”. Já a deputada Dani Portela ressaltou que o movimento Vida Além do Trabalho foi a semente dessa pauta. “Estamos falando de uma vida sem jornadas exaustivas. O plebiscito nos convida a lutar por tempo livre para estudar, para estar com a família e cuidar da saúde mental. Só em 2024, foram registrados 300 mil casos de burnout no Brasil”, alertou.

As falas da sociedade civil reforçaram a urgência das mudanças. A professora Luciana Grassano destacou que não há ética em tributar mais o rendimento do trabalho do que o do capital. “Hoje, os 10% mais ricos acumulam 55% da renda nacional, e o 1% mais rico concentra 23% dela. Precisamos de um sistema justo, transparente e redistributivo”, afirmou. A pesquisadora Milena Prado acrescentou que 70% da população ocupada recebe até dois salários-mínimos e que a escala 6×1 atinge especialmente o comércio e os serviços, onde se concentram longas jornadas. “A luta pela redução da jornada de trabalho é histórica e precisa avançar”, disse.

Representantes de movimentos sociais também deram sua contribuição. Natália Cordeiro, do Fórum de Mulheres de Pernambuco, lembrou que para as mulheres o impacto é ainda maior, já que o tempo de descanso acaba sendo consumido por tarefas domésticas. O Padre Edson André ressaltou a dimensão ética da luta, lembrando que “Jesus não viveu em palácios, mas ao lado do povo e da dignidade humana”.

Ao final, os parlamentares e os participantes reforçaram o apelo para que a população participe ativamente do Plebiscito Popular 2025, votando pelo fim da escala 6×1, pela taxação dos ricos e pela isenção do imposto de renda para trabalhadores. Para os proponentes da audiência, o plebiscito é um instrumento democrático que fortalece a luta popular e pressiona as instituições a reconhecerem os direitos da maioria.

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