Opinião | Israel Leal*
O cidadão comum não acompanha política o tempo todo. Ele não lê o diário oficial, não assiste às sessões da Câmara e, muitas vezes, sequer sabe o nome do vereador em quem votou. Mas isso não significa que ele seja desinteressado. Pelo contrário: o eleitor quer ver resultados concretos e sentir que sua escolha nas urnas fez a diferença em sua cidade. Ele espera transparência, coerência e, acima de tudo, uma comunicação clara sobre o que está sendo feito e por quê.
Agora imagine a seguinte situação: um vereador trabalha incansavelmente, fiscaliza, propõe leis e cobra melhorias, mas não comunica nada disso ao cidadão. No final do mandato, quando chega a eleição, ele se surpreende ao ver que o eleitor sequer lembra de suas ações. Se o eleitor não percebe o trabalho, é como se ele nunca tivesse existido, como se ele fosse invisível. E é exatamente isso que acontecerá com a maioria dos quase 60 mil vereadores que tomaram posse em 2025. Sem um plano estruturado de comunicação, boa parte deles chegará à eleição de 2028 com a difícil tarefa de explicar aos eleitores tudo o que fez nos últimos quatro anos – e, em muitos casos, será tarde demais.
A sociedade de hoje é completamente diferente da de 20 anos atrás. O eleitor não quer discursos vazios e promessas genéricas; ele quer saber o que está sendo feito, como isso o afeta e por que deve continuar acreditando no seu vereador. Além disso, a confiança nas instituições políticas está em baixa. Para conquistar e manter a credibilidade, o vereador precisa de uma comunicação transparente, acessível e próxima da realidade das pessoas. Isso significa traduzir o trabalho legislativo de forma compreensível, mostrar resultados concretos e estar presente – tanto fisicamente nos bairros quanto nas redes sociais e nos meios de comunicação locais.
Ao longo da minha trajetória como jornalista e consultor de marketing político, vi inúmeros vereadores comprometidos com suas cidades serem rejeitados nas urnas simplesmente porque não souberam comunicar seu trabalho. Eram políticos sérios, atuantes, mas que acreditaram que “o povo saberia reconhecer” sua dedicação. O problema é que, na política, reconhecimento não acontece por acaso – ele precisa ser construído, tijolo por tijolo, através de uma comunicação estratégica. Por outro lado, aqueles que planejaram sua comunicação desde o primeiro ano de mandato chegaram à eleição seguinte com um eleitorado já convencido de sua relevância. Para esses, a campanha eleitoral foi apenas um prolongamento do trabalho realizado ao longo dos quatro anos.
Os vereadores que entenderem essa necessidade desde já terão uma vantagem decisiva em 2028 e estarão executando um trabalho em sintonia com os anseios da população por mais transparência. Os que não entenderem provavelmente terão uma dura lição quando perceberem que, para o eleitor, o que não foi comunicado simplesmente não existiu.
*Israel Leal é jornalista, especialista em marketing político e autor do livro “Comunicação de Mandato para Vereadores”.
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