Lula e Flávio entre a lealdade e a resistência

Quando um governo ultrapassa os 50% de desaprovação, o problema deixa de ser apenas administrativo e passa a ser essencialmente narrativo. A Paraná Pesquisas indica que o governo Lula enfrenta não só desgaste, mas dificuldade de expansão simbólica. A comunicação oficial parece falar com a base consolidada, enquanto o eleitorado intermediário migra para o ceticismo.

No campo do marketing eleitoral, o dado mais sensível não é apenas a queda na aprovação, mas o empate estrutural com Flávio Bolsonaro em rejeição e segundo turno. Quando dois polos acumulam teto alto e rejeição equivalente, a disputa deixa de ser sobre convencimento e passa a ser sobre mobilização, narrativa emocional e capacidade de reduzir resistência.

Desaprovação – O levantamento mostra 52% de desaprovação ao governo Lula, contra 45% de aprovação. A curva piorou em relação a janeiro e o dado qualitativo é mais sensível: 43,5% classificam como ruim ou péssima. Não é só rejeição política, é fadiga administrativa.

Mapa da Resistência – O país está fraturado: Sul (62,8%) e Sudeste (55,1%) puxam a desaprovação. No Nordeste, 59,2% aprovam. A geografia eleitoral de 2022 permanece, mas com erosão fora do reduto histórico. Governo que depende excessivamente de uma região começa a disputar teto, não expansão.

Bolsa e Fé – Entre beneficiários do Bolsa Família, 64,3% aprovam. Fora do programa, 56,8% desaprovam. O dado confirma dependência de política distributiva como ativo central. Outro ponto sensível: entre os que frequentaram celebrações religiosas após o desastroso desfile carnavalesco que exaltou Lula, criticou conservadores e rebaixou escola de samba, 56,3% desaprovam.

Rejeição – Flávio Bolsonaro e Lula empatam na rejeição: 44,9% a 46,2%. No voto convicto, Lula tem 30,2% e Flávio 27,3%. A polarização está consolidada e limitada. Ambos têm piso sólido, mas enfrentam teto visível.

2° Turno – Na simulação, Flávio aparece numericamente à frente: 44,4% a 43,8%. Empate técnico, mas com peso relevante. Quando o incumbente passa a correr atrás dentro da margem de erro, o problema deixa de ser estatístico e passa a ser narrativo.

Israel Leal é jornalista especialista em marketing político e eleitoral

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