O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ), tem um plano para tentar recuperar a popularidade perdida por Lula durante os dois primeiros anos de seu mandato. Não há qualquer novidade nesse plano e a possibilidade de que ele venha de fato a reverter a queda de aprovação progressiva de Lula é muito pequena.
Bancada do PT na Câmara vai apostar no fim da escala de trabalho 6×1 e na isenção do Imposto de Renda para quem ganha até 5 mil reais, informa o Estadão. Essas são duas pautas de apelo popular, como mostraram pesquisas feitas nos últimos meses, mas a aprovação de uma delas no Congresso Nacional é praticamente inviável, e a outra demanda uma contrapartida para compensar o que o governo deverá parar de arrecadar.
O projeto para acabar com a escala 6×1 já foi apresentado outras vezes, e não chegou a avançar minimamente no parlamento. Ele promete um resultado mágico, diminuir a jornada de trabalho ao mesmo tempo em que mantém o rendimento do trabalhador, o que obviamente levaria ao desemprego.
É o tipo de mudança que não se faz por meio de um projeto de lei, no caso apresentado pela deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), mas poderia ser alcançada por meio do aumento da eficiência e da diminuição do custo do trabalho, pesado por causa dos encargos impostos pela CLT (Convenção Coletiva de Trabalho).
A isenção do Imposto de Renda para salários até 5 mil reais é aprovada por 67% dos brasileiros, segundo levantamento do Instituto Paraná Pesquisas.
É uma pauta bem mais fácil de passar no Congresso, pois seus louros seriam partilhados com os parlamentares que ajudariam a aprová-la.
Mas o governo, que já tem dificuldades para fechar suas contas — à base de alguma maquiagem —, teria de aprovar alguma contrapartida para compensar o impacto fiscal de 50 bilhões de reais.
Esse tipo de estratégia faz parte do que o ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyola chamou de “tiro no pé” do governo, que, em busca de melhorar a aprovação de Lula, parece disposto a sangrar ainda mais a economia do país enquanto alega defender os mais pobres.
Fonte: O Antagonista
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