O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União, ao centro na foto), lançou nesta sexta-feira, 4, sua pré-candidatura à Presidência da República, sob o slogan “coragem pra endireitar o Brasil”. O evento foi realizado em Salvador, junto com o ex-prefeito da capital baiana ACM Neto, aliado de Caiado desde a época em que o União Brasil, partido dos dois, era PFL.
Ao se lançar ao Palácio do Planalto, Caiado ostentou sua popularidade em Goiás, abastecida pelo combate à criminalidade, segundo as pesquisas de opinião. O governador é o mais bem avaliado do Brasil, como seus aliados fizeram questão de destacar durante o evento.
“Quando eu recebi o governo, Goiás era a Disneylândia dos bandidos, roubava-se para todo lado, corrompia-se para todo lado. Ninguém tinha paz, ninguém tinha sossego no setor urbano ou no setor rural. As facções tomavam conta. Aqui, tem 10 cidades hoje, na Bahia, como as mais violentas do país. Goiás tinha as quatro primeiras cidades mais violentas do Brasil quando Caiado assumiu o governo”, discursou.
“E foi naquela hora, na frente da minha tropa, na posse de governador do estado, que eu disse: o primeiro mandamento do governador Ronaldo Caiado é ‘o bandido muda de profissão ou o bandido muda de estado’. Isso é o que ficou firmado para todas as minhas tropas. E, daí em diante, o nosso povo vive outro momento”, completou.
“Desencabrestado”
Caiado lança sua pré-candidatura quando parte da direita brasileira está mobilizada para habilitar o ex-presidente Jair Bolsonaro para concorrer à Presidência da República em 2026. Nesse sentido, o apoio do senador Sergio Moro (União-PR), que discursou em seu evento em Salvador, é bem significativo.
O governador de Goiás não falou diretamente sobre Bolsonaro em seu discurso, mas mandou um recado indireto:
“Por que o Caiado está querendo ser presidente? Em primeiro lugar, porque o Caiado, desde que nasceu, é desencabrestado. Não sou candidato de colete, nem candidato de barra de saia de ninguém não. Eu sou candidato e vou para o povo, vou debater. Quando ninguém tinha coragem de debater direito de propriedade, era o Caiado lutando com 36 anos de idade neste Brasil.”
Críticas a Lula
O governador também mirou em Lula, mas de forma direta.
“Goiás investiu 17 bilhões de reais na segurança pública em 6 anos. O governo federal repassou 980 milhões. Veja bem a situação que nós estamos vivendo. Não tem apoio nenhum do governo federal. O governo federal criou uma zona… Tem uma área no Rio de Janeiro em que a polícia não pode entrar, é uma verdadeira ADPF que transforma aquilo ali em uma zona livre da bandidagem”, disse Caiado, em referência à arguição de descumprimento de preceito fundamental 635, que levou o Supremo Tribunal Federal (STF) a limitar a ação policial em favelas.
Na quinta-feira, 3, o STF aprovou um plano de ação no âmbito do julgamento dessa ADPF. Segundo o presidente do STF, Luís Roberto Barroso, a Polícia Federal (PF) ficará responsável por investigar crimes com repercussão interestadual e internacional ocorridos no Rio. Além disso, o estado deverá elaborar um plano para reduzir a letalidade policial e recuperar territórios dominados pelo narcotráfico.
Criminalidade
Caiado seguiu nas reclamações, mas sobre a PEC da Segurança encampada pelo ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski.
“A que ponto nós estamos chegando no país. E querem agora colocar em pauta, senhores senadores, deputadas e deputados, um sistema único de segurança pública, onde o Caiado já desmascarou o presidente Lula na frente dele, dizendo ‘você quer tirar prerrogativas de estado’. Isso aí é presente para a bandidagem, para os faccionados, isso em anda dá poder para o combate à criminalidade no país. É isso que eles querem, é a concentração do poder nas mãos deles. Lá de Brasília, querer achar que o iluminado vai saber como é que acontece a criminalidade na Bahia, no Ceará, como acontece a criminalidade em cada região do país”, criticou Caiado.
O governador de Goiás de fato confrontou Lula em reunião co outros governadores, em outubro de 2024, quando o sistema único de segurança foi apresentado. Em dezembro, Caiado disse que o crime organizado celebrou um presente de Natal dado por Lula, quando um decreto do Ministério da Justiça definiu novas diretrizes para o uso da força por policiais no Brasil.
Do O Antagonista
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