O deputado estadual João Paulo (PT) coordenou, nesta quarta-feira (20), uma audiência pública na Comissão de Administração Pública da Alepe para discutir a mobilidade urbana e a Tarifa Zero no transporte coletivo da Região Metropolitana do Recife. Como encaminhamentos, ficou definida a elaboração de um relatório detalhado com as contribuições apresentadas, que será submetido à Comissão de Administração; a criação de um grupo de trabalho para aprofundar o debate sobre a viabilidade da Tarifa Zero; e a realização de uma nova audiência pública voltada exclusivamente para a situação do metrô do Recife.
O encontro foi considerado amplo e produtivo, reunindo representantes do poder público, sindicatos, movimentos sociais e usuários do transporte coletivo. Para João Paulo, a audiência escancarou a crise que a população enfrenta diariamente. “Nosso transporte público está sucateado. A frota de ônibus diminuiu 7% entre 2023 e 2025, mais da metade dos veículos já ultrapassou sete anos de uso, e os trabalhadores enfrentam condições precárias. Isso penaliza diretamente o povo, que paga caro por um serviço ruim e, muitas vezes, é empurrado para alternativas individuais que agravam ainda mais o trânsito da nossa cidade”, afirmou o parlamentar.
A crítica à lógica de controle privado do setor também foi levantada durante a audiência. O professor Jones Manuel lembrou que “infelizmente, na prática, o transporte coletivo não é controlado pelo governo, mas pelas empresas. São elas, por meio de seu sindicato patronal, que decidem todos os rumos do setor e garantem aumentos sistemáticos de tarifas – às vezes acima da inflação.”
Na avaliação de João Paulo, a Tarifa Zero é uma alternativa concreta e necessária para romper esse ciclo. “A gratuidade no transporte é, antes de tudo, uma questão de justiça social, pois garante o direito constitucional de ir e vir. Mais de 40% da população da RMR vive na pobreza e 60% sobrevivem com até um salário-mínimo. O passe livre significa inclusão, alívio imediato no orçamento das famílias e um passo decisivo para reorganizar a mobilidade da nossa região”, destacou.
A deputada Rosa Amorim (PT) reforçou a defesa do modelo: “A Tarifa Zero é mais do que uma proposta; é um projeto de justiça social.” Para a vereadora de Moreno, Marília Rufino (PT), o debate precisa ir além da questão tarifária e enfrentar os limites estruturais da política econômica: “A gente tem que aprofundar questões mais amplas, do estado mínimo, do neoliberalismo e do próprio capitalismo, que não têm interesse pela mobilidade”.
Outro ponto central da audiência foi o papel estratégico do metrô. João Paulo reafirmou que não haverá saída sem mais investimento público: “Não haverá saída sem um metrô público, forte e valorizado. A privatização não é alternativa. Precisamos de expansão da malha e valorização dos metroviários.” Na mesma linha, o ex-vereador do Recife, Ivan Moraes (Psol), destacou que “o poder público precisa ter a ousadia e garantir os direitos do povo. A Tarifa Zero é um direito necessário – inclusive para o metrô.”
O deputado concluiu reafirmando o compromisso de seu mandato em liderar a discussão e apontar soluções: “Nosso povo não merece pagar cada vez mais por um serviço cada vez pior. Transporte público gratuito e de qualidade é um direito, e nós estamos juntos nessa luta.”
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